Com potencial altamente competitivo Rio Grande do Sul entra na corrida por projetos offshore
A recente deliberação do Conselho Nacional de Política Energética marca o início de uma nova fase para a eólica offshore no país, com impactos diretos sobre investimento, emprego e desenvolvimento industrial.
Ao estabelecer diretrizes para a regulamentação do setor, o CNPE começa a estruturar o ambiente necessário para viabilizar projetos de grande escala. A medida amplia a previsibilidade regulatória, fator essencial para um segmento intensivo em capital e com longa maturação. Trata-se de um avanço relevante, já que a legislação condicionou o desenvolvimento do setor à aprovação do Conselho, o que contribui para reduzir incertezas no ambiente brasileiro.
Ainda assim, parte da estrutura regulatória segue em construção. Nem todos os instrumentos foram detalhados até o momento, e há pontos que devem evoluir ao longo da consolidação do setor, especialmente na definição das áreas e nas condições de implantação dos projetos.
Cenário inicial já indica bilhões em investimentos
Um cenário conservador, considerando a efetivação de 3 a 4 dos 17 projetos atualmente em licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, aponta para cerca de 3 gigawatts de capacidade instalada.
Com custo médio estimado em US$ 3,5 milhões por megawatt, esse volume pode representar aproximadamente US$ 10,5 bilhões em investimentos, o equivalente a mais de R$ 50 bilhões.
O impacto sobre o mercado de trabalho também é expressivo. Estimativas indicam a geração de 30 mil a 45 mil empregos ao longo do ciclo dos projetos, incluindo as fases de construção, operação e a cadeia produtiva associada.
Indústria naval e portos entram no centro da agenda
Mais do que geração de energia, o desenvolvimento da eólica offshore mobiliza uma ampla cadeia econômica. Um cluster inicial de 3 gigawatts pode demandar entre 20 e 40 embarcações ao longo do ciclo dos projetos, com até 30 operando simultaneamente na fase de construção.
Esse movimento cria oportunidades diretas para a indústria naval, serviços marítimos e infraestrutura portuária.
Nesse contexto, a Portos RS desponta como um ativo estratégico. A entidade vem atuando no fomento às agendas de offshore e hidrogênio verde e, recentemente, foi apontada como o porto mais eficiente do Brasil, superando o Porto de Santos.
Regulação avança, mas setor aguarda leilões
Entre os pontos definidos pelo CNPE está a referência inicial de afastamento mínimo da costa, além da necessidade de coordenação entre órgãos como Empresa de Pesquisa Energética, Agência Nacional de Energia Elétrica, Ibama e Marinha do Brasil.
Apesar do avanço, o setor ainda aguarda os próximos passos do Governo Federal para dar escala ao mercado, especialmente a realização de leilões, com expectativa de que ocorram a partir de 2026.
Descarbonização da indústria e do agro amplia relevância
A eólica offshore também se insere na agenda de transição energética ao viabilizar a produção de hidrogênio verde e combustíveis de baixo carbono. Esses insumos são estratégicos para a descarbonização de cadeias industriais e do agronegócio, especialmente em estados com forte perfil exportador.
Disputa por protagonismo já começou
Com a regulamentação em avanço, o país entra em uma nova etapa marcada pela disputa por investimentos, empregos e protagonismo industrial.
Estados que conseguirem alinhar estratégia, infraestrutura e articulação institucional tendem a capturar parcela relevante desse novo mercado, e o Rio Grande do Sul aparece entre os mais bem posicionados para liderar esse movimento.

