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Renove os hábitos, renove as energias

Em meio a grandes expectativas para a energia solar fotovoltaica, subcomitê será criado para acompanhar o setor no Estado

Com a perspectiva de saltar em 2022 de uma potência instalada no País de cerca de 13 mil MW para aproximadamente 25 mil MW, segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a energia solar também é motivo de entusiasmo para empreendedores e consumidores no Rio Grande do Sul. Para acompanhar o tema de perto, está sendo proposta a formação de um Subcomitê de Energia Solar no Estado.

O professor e presidente do Programa RS Solar, Tiago Cassol Severo, detalha que a criação do grupo, como parte integrante do Comitê de Planejamento Energético do Rio Grande do Sul (Copergs), é uma ação conjunta do Programa RS Solar e do Sindienergia-RS. O intuito é proporcionar uma base técnica e jurídica a assuntos relacionados ao setor de energia solar gerando um debate amplo e construtivo.
Severo acrescenta que a meta é elencar ações proativas ao Estado e municípios gaúchos, motivando a implantação de práticas voltadas à sustentabilidade a partir da energia solar e eficiência energética e a ampliação de laços do governo do Estado com entidades do gênero. “A sua operação (do subcomitê) está no aguardo da aprovação das entidades partícipes do Copergs, entretanto devemos ter novidades já em fevereiro, prevê o professor.
Conforme o presidente do Programa RS Solar, as altas constantes com os gastos com a energia elétrica e as linhas de crédito com ótimas taxas de juros são fatores decisivos para justificar esse crescimento do setor solar. “Um fator adicional a esse ambiente positivo é a aprovação do Lei 14.300/2022 – o Marco Legal da Geração Distribuída (realizada pelo próprio consumidor), que faz que este ano seja o último para que novos sistemas de geração distribuída, aqui em especial sistemas de energia solar, possam aproveitar a RN 482 e, assim, a compensação integral das componentes tarifárias do setor”, complementa o professor.
O analista de projetos do Sebrae RS, Cleverton Luis Paranhos da Rocha, reforça que o objetivo do subcomitê é concentrar esforços para criar um melhor ambiente para os participantes do setor. “Não somente para as empresas que atuam como fornecedoras de produtos, mas para quem consome esse tipo energia, indústrias, comércios e as próprias residências, o pessoal que quer instalar (painéis fotovoltaicos), mas ainda tem dúvidas”, enfatiza o integrante do Sebrae RS.
Rocha acredita que o Rio Grande do Sul acompanhará o ritmo do crescimento da energia solar previsto para o País. Ele lembra que o Estado é o terceiro em potência instalada dessa fonte, superado apenas por Minas Gerais e São Paulo. Segundo mapeamento feito na última semana de janeiro pela Absolar, o Rio Grande do Sul possui 1.001,2 MW em energia solar em operação em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos.
O Estado responde sozinho por 12% de todo o parque nacional de energia solar na modalidade de geração distribuída, possuindo 101.392 conexões operacionais, espalhadas em seus 497 municípios. Desde 2012, a geração própria de energia solar já significou ao Rio Grande do Sul a atração de mais de R$ 5,1 bilhões em investimentos, criação de mais de 30 mil empregos e a arrecadação de mais de R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos.
Quanto aos setores que devem ampliar o uso dessa solução, para o analista de projetos do Sebrae RS, a indústria é um segmento que tem a tendência de expandir ainda mais o aproveitamento da geração distribuída fotovoltaica, principalmente, as empresas de médio e pequeno porte que estão olhando para o custo da conta da luz. Na questão de fornecedores, Rocha ressalta que, como muitas companhias querem entrar no setor para aproveitar o crescimento exponencial, é preciso qualificar tecnicamente os agentes que atuam nessa área.
Já o diretor de solar e coordenador do comitê de geração distribuída do Sindienergia-RS, Frederico Boschin, frisa que o Rio Grande do Sul é um estado que tem possibilidades de acompanhar a tendência de crescimento da fonte solar que se projeta para o País. “O simples aumento da tarifa de energia vai alavancar (a geração fotovoltaica)”, adianta. Boschin considera ser factível o Rio Grande do Sul incrementar em mais 1 mil MW sua capacidade de produção de energia solar ainda neste ano.
Porém, o integrante do Sindienergia-RS salienta que alguns desdobramentos desse incremento precisarão ser acompanhados como, por exemplo, os reflexos desse aumento da geração distribuída na rede elétrica e como as distribuidoras e cooperativas irão lidar com esse assunto. Para Boschin, o Estado deveria ter como pauta o fomento da energia solar.
Ele sustenta o argumento em dois fatores principais: por ser uma geração que ajuda a atender aos picos de demandas ocasionados com as elevadas temperaturas de verão e pelo fato de o Rio Grande do Sul ser um “importador” de energia de outras regiões do País (cerca de um terço da energia consumida pelos gaúchos vem de fora). “É importante que o Estado faça o acompanhamento disso ou eventualmente até incentive a entrada desse tipo de fonte”, reforça.
Se a geração distribuída já é uma prática consolidada no Rio Grande do Sul, há espaço para o crescimento de complexos mais robustos. O professor e presidente do Programa RS Solar, Tiago Cassol Severo, comenta que, em relação à geração centralizada e usinas de maior porte baseadas em energia solar fotovoltaica, o investimento ainda não é competitivo no Estado. Isso porque no Brasil há regiões com taxas mais altas de radiação solar, em especial os estados que fazem parte do cinturão solar brasileiro (região que vai do Nordeste ao Pantanal), com retorno mais rápido aos empreendedores.
“Entretanto, com a queda constante nos preços da tecnologia solar associada ao aumento da eficiência de conversão e novas tecnologias, isso pode fazer esse comportamento mudar e o Estado também começar a ser interessante a esse tipo de aproveitamento”, adianta Severo. Além disso, um outro ponto a ser avaliado é a utilização de usinas híbridas baseadas no aproveitamento da sazonalidade dos recursos energéticos e a possibilidade de complementação entre solar e outras fontes (eólica, hídrica e afins) podendo propiciar novas oportunidades com os seus ramais de entrada já adquiridos e com áreas disponíveis para a instalação de módulos solares. Ainda sobre a geração de energia solar, o professor recorda que o II Fórum Estadual de Energia Solar (http://forumenergiasolar.com.br/) irá ocorrer nos dias 17 e 18 de março deste ano, em Nova Petrópolis, e tratará de diversos temas importantes para o setor.

Texto: Sindienergia-RS