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Observatório do Sindienergia-RS

Renove os hábitos, renove as energias

Rio Grande do Sul pode liderar maior investimento sistêmico em energia no Brasil com avanço da eólica offshore

O Rio Grande do Sul deu mais um passo estratégico rumo à consolidação da energia eólica offshore como vetor de desenvolvimento econômico e transição energética. O Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) apresentou à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) o estudo de modelagem das eólicas offshore no Estado — um material estruturado que analisa a favorabilidade técnica das áreas, suas sensibilidades socioambientais e a integração ao sistema elétrico.

Desenvolvido pelo Sindienergia-RS em parceria com a Portos RS – Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul e executado pela WSP, o estudo mapeia áreas com maior potencial para desenvolvimento do setor, considerando variáveis ambientais, logísticas e regulatórias. A iniciativa posiciona o Estado como protagonista no debate nacional sobre a implantação da energia eólica no mar, ao antecipar análises técnicas e propor critérios estruturados para a ocupação racional do espaço marítimo.

“A modelagem de favorabilidade funciona como uma linha-mestra para a criação de um novo mercado. Ela indica onde o setor pode iniciar com menor sensibilidade ambiental, maior viabilidade técnica e logística e segurança regulatória”, afirma Daniela Cardeal, presidente do Sindienergia-RS.

O estudo parte de uma modelagem multicritério que sobrepõe diversas camadas de informação de infraestrutura e socioambientais. Entre os fatores analisados estão aspectos ligados à biodiversidade marinha — como ocorrência de mamíferos e aves marinhas, áreas de reprodução e rotas migratórias —, a presença de Unidades de Conservação, atividades pesqueiras artesanais e industriais, rotas de navegação e áreas de interesse da Marinha, além da proximidade de infraestrutura portuária e das condições técnicas de conexão ao sistema elétrico, entre outras variáveis relevantes para o planejamento do setor. A proposta é identificar áreas com maior favorabilidade técnica, ambiental e logística, ao mesmo tempo em que antecipa potenciais zonas de conflito e contribui para uma ocupação mais organizada do espaço marítimo.

Segundo Daniela Cardeal, a modelagem funciona como instrumento de organização institucional para o surgimento de um novo setor. “Quando falamos em offshore, falamos de um mercado bilionário, com capacidade de transformar cadeias produtivas. O Estado pode deixar de ser importador de energia e passar a gerar excedentes, descarbonizando indústrias, o agro e a logística”, pontua a presidente. Ela reforça que a escolha dos locais de implantação e o risco econômico permanecem como responsabilidade dos investidores. “A decisão sobre onde investir e assumir risco é do empreendedor. O papel das entidades é estruturar informações e fortalecer a previsibilidade regulatória, criando um ambiente mais seguro para investimentos de longo prazo.”

Para a vice-diretora de Offshore do Sindienergia-RS, Edisiene Correia, a estrutura metodológica adotada fortalece a segurança técnica do processo. “A aplicação de uma Análise de Decisão Multicritério, com uso de AHP (Analytic Hierarchy Process – Processo de Hierarquia Analítica), organização de banco de dados geográficos e construção de cenários distintos permite maior rastreabilidade técnica e transparência na priorização das áreas. Isso reduz incertezas, qualifica o diálogo regulatório e contribui para um desenvolvimento mais previsível do offshore no Estado.”

Ao apresentar o estudo à EPE, o Rio Grande do Sul contribui diretamente com o planejamento energético federal, oferecendo dados organizados que podem subsidiar cenários de expansão da geração offshore no país. A aproximação institucional reforça o alinhamento entre iniciativa regional e estratégia nacional de transição energética. “A expansão da eólica offshore precisa ser coordenada. Quando estados se organizam tecnicamente e dialogam com o planejamento federal, fortalecemos a segurança energética do Brasil como um todo”, afirma Edisiene Correia.

Para o Sindienergia-RS, a energia eólica no mar representa potencialmente um dos maiores investimentos sistêmicos em discussão no país — não apenas pelo volume de capital envolvido, mas pela transformação transversal que pode gerar. A geração offshore tem capacidade de ampliar a oferta energética, reduzir a dependência de importações, gerar excedentes e impulsionar novas cadeias produtivas, como fertilizantes verdes para o agronegócio e combustíveis sustentáveis para a logística. “A offshore não é apenas um projeto de geração de energia. É um movimento estruturante, com impacto na indústria, no agro, na logística e na competitividade econômica. Trata-se de desenvolvimento com base técnica e responsabilidade socioambiental”, conclui Daniela Cardeal.

Ao estruturar dados antes da fase de implantação dos projetos, o Estado demonstra maturidade institucional e contribui para criar um ambiente de maior previsibilidade — elemento central para atrair investimentos atentos à estabilidade regulatória e à segurança sistêmica.